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domingo, 26 de fevereiro de 2012

ERGONOMIA



A ergonomia aplica teoria, princípios, dados e métodos para projetar a fim de otimizar o bem-estar humano e o desempenho geral de um sistema. 



“Bom tarde, leitores. Está é a última postagem do módulo intermediário, sábado irei propor uma série de exercícios a serem feitos até 31/03", Alex Silva.


Cenas da vida diária

Suponha um trabalhador diante de um microcomputador: monitor, teclado, mouse, mesa, assento formam um conjunto nem sempre harmônico. Mas a pessoa se queixa de dores lombares, nas mãos, no pescoço. Alguém sabe explicar o porquê?

Vejamos uma grande confecção onde a produção acontece num galpão de grande porte.
Impera o ruído das máquinas de corte, pesponto, costura, acrescidos do calor resultante da própria edificação e das prensas de acabamento. Os resíduos têxteis formam uma poeira que reduz a iluminação geral obrigando a que cada posto tenha uma iluminação local que aumenta ainda mais a contrante térmica e compromete a qualidade do ar. O ambiente se caracteriza ainda pelo odor de tecidos novos, alguns com muito pouco tempo de saída da tinturaria.

A vida diária pode vir a ser muito injusta com um motorista de caminhão de entregas, muitas vezes ofendido por pessoas que certamente ignoram que para além do acelerar e trocar marchas, frear e estacionar, esta atividade possui dimensões físicas como carga e descarga – dimensões mentais complexas e urgentes como o estabelecimento de itinerários sob pressão do horário de entrega e em face de contingências como engarrafamentos, outros caminhões de entrega e tendo instâncias afetivas importantes, já tudo isso se dá entre “barbeiros, navalhas e mauricinhos”, tendo ao fundo o delicioso concerto urbano de buzinas, comentários sobre a sua masculinidade em tenor, contralto e sopranos, tudo isso traspassado pela “suavidade diáfana” de motores desregulados em funcionamento.

Estes relatos acerca de situações do cotidiano pessoal ou profissional de milhares de pessoas pelo mundo afora, revela que a atividade produtiva de homens e mulheres, jovens e idosos, sãos ou adoentados não é tão simples como possa parecer e que deve ser objeto de algum entendimento, de um estudo mais elaborado. E é isso a que se propõe a Ergonomia: produzir esse entendimento para que as mudanças possam ser feitas, os projetos mais bem elaborados e as decisões tecnológicas melhor assentadas. A saúde das pessoas, a eficiência dos serviços e a segurança das instalações estarão, a partir daí, sendo efetivamente incorporadas à vida das organizações.

Definição

Ergonomia, antes de qualquer coisa, é uma atitude profissional que se agrega à prática de uma profissão definida. Neste sentido é possível falar de um médico ergonomista, de um psicólogo ergonomista, de um designer ergonomista e assim por diante. Esta atitude profissional advém da própria definição estabelecida pela Associação Brasileira de Ergonomia, com base num debate mundial:

“A Ergonomia objetiva modificar os sistemas de trabalho para adequar a atividade nele existentes às características, habilidades e limitações das pessoas com vistas ao seu desempenho eficiente, confortável e seguro”.

Esta definição que coloca finalidades (modificar os sistemas de trabalho), propósitos (adequar a atividade às características, habilidades e limitações das pessoas) e critérios (eficiência, conforto e segurança) necessita ser complementada por uma outra, que estabeleça qual a tecnologia a que a Ergonomia está referida ou que possua um referente de suas finalidades, propósitos e critérios. Esta tecnologia é a tecnologia de realização de interfaces entre as pessoas e os sistemas, melhor dizendo, estabelecendo uma relação de adequação entre os aspectos humanos presentes na atividade de trabalho e os demais componentes dos sistemas de produção: tecnologia física, meio-ambiente, softwares, conteúdo do trabalho e organização. Qualquer forma de interação entre o componente humano e os demais componentes do sistema de trabalho constituir-se-á em uma interface, sem que tenhamos necessariamente uma boa interface. As boas interfaces (adequadas) atenderão de forma conjunta, integrada e coerente os critérios de conforto, eficiência e segurança.

Em sua atividade de trabalho o ser humano interage com os diversos componentes do sistema de trabalho: com os equipamentos, instrumentos e mobiliários, formando interfaces sensoriais, energéticas e posturais, com a organização e o ambiente formando interfaces ambientais, cognitivas e organizacionais. O ser humano, com seu organismo, sua mente e sua psique realiza essas interações de forma sistêmica, cabendo à Ergonomia modelar essas interações e buscar formas de adequação para o desempenho confortável, eficiente e seguro face às capacidades, limitações e demais características da pessoa em atividade.

Uma disciplina útil, prática e aplicada

A atitude profissional que caracteriza o ergonomista tem ao mesmo tempo uma dimensão científica que traz fundamento às aplicações de uma dimensão prática que torna essa aplicação viável no mundo da produção. A combinação das dimensões científicas e práticas da Ergonomia revela sua utilidade como uma disciplina que nasceu e se estabelece voltada para resolver problemas, essencialmente. A ergonomia está, pois, exposta a dois tipos não coerentes de avaliação: avaliação sob critérios científicos acerca de suas modelagens e formulações de problemas do trabalho e avaliação sob critérios econômico-sociais do valor de suas propostas de soluções.

A superação desse duplo registro, deste paradoxo aparente está numa compreensão da Ergonomia como disciplina útil, prática e aplicada:

·      Como disciplina útil, através de seus procedimentos de modelagem da realidade do
uso e a incorporação de conhecimentos para a melhoria das interfaces entre os componentes humanos e os demais constituintes do sistema de produção, a Ergonomia tem tido bastante sucesso em tratar de problemas onde outras abordagens têm deixado a desejar;

·      Como disciplina científica a Ergonomia através do estudo das capacidades e
limitações e demais características humanas necessárias para o projeto de boas interfaces, assim como busca modelar a atividade de trabalho para garantir a qualidade operacional deste projeto.  Para tanto ela situa num cruzamento interdisciplinar entre várias disciplinas como Fisiologia, a Psicologia, a Sociologia, a Linguística e práticas profissionais como a Medicina do Trabalho, o Design, a Sociotécnica e as Tecnologias de Estratégia e Organização. Toda esta interdisciplinaridade se centra no conceito de atividade de trabalho, o verdadeiro objeto da Ergonomia;

·      Como disciplina prática a ergonomia busca encaminhar soluções adequadas aos
usuários, operadores e à realidade das empresas e organizações onde as intervenções ergonômicas têm lugar;

·      Como disciplina aplicada ela traz os resultados dos tratamentos científicos de
modelagem da realidade e de levantamento do estado da arte de problema ao desenvolvimento de tecnologia de interfaces para a concepção, análise, testagem, normatização e controle dos sistemas de trabalho. São assuntos aplicados de Ergonomia, portanto a concepção de sistemas de trabalho sob o ponto de vista da atividade das pessoas que nele se integram, de produtos sob o ponto de vista de uso e manuseio pelos adquirentes, de sistemas informatizados sob a ótica da usabilidade (interatividade facilitada, amigabilidade, customização etc.) de estruturas organizacionais do ponto de vista dos que nela trabalham e assim por diante.

A ergonomia como interdisciplinaridade interage com várias disciplinas no campo das ciências da vida, técnicas, humanas e sociais. Seus conteúdos se orientam para o design, arquitetura e engenharia, cuja inserção nesses quadrantes é basicamente a mesma.

Problemas retrospectivos, prospectivos e emergentes

Como uma disciplina concomitantemente útil, prática e aplicada, a ergonomia é indicada para tratar de problemas nos sistemas de produção. Empresas e organismos diversos têm podido empregar, com muitas vantagens, os serviços dos ergonomistas para intervir sobre estes diversos tipos de problemas com que a produção se defronta.

Esses problemas podem ser referentes ao histórico da empresa (retrospectivos), à disposição para mudanças (prospectivos) ou mesmo urgentes e/ou desconhecidos ate então (caso das emergências).

A compreensão do que está acontecendo e que requer uma intervenção ergonômica – ou seja, a construção de um diagnóstico ergonômico de um sistema de trabalho – vai requerer o levantamento de problemas retrospectivos como:

·      custo de doenças ligadas ao trabalho;
·      inadequação dos postos de trabalho ou dos ambientes;
·      qualidade insatisfatória dos produtos  e dos processos de produção;
·      ineficiências dos métodos de produção, de formação, de inspeção;
·      defeitos dos produtos, com consequente perdas de mercado e aumento do nível de
reclamações dos clientes;
·      funcionamento inadequado de equipamentos e softwares.

De posse de um diagnóstico ergonômico é preciso agir para adequar as diferentes interfaces. A ação ergonômica, a partir dos elementos que o diagnóstico ergonômico lhe fornece, lida com problemas prospectivos como:

·      a concepção de novos produtos, de sistemas de produção, de novas instalações;
·      as inovações nos equipamentos: mobiliário, maquinário, instrumentos e acessórios;
·      a construção da formação de novos empregados na implantação de novas tecnologias
e/ou novos sistemas organizacionais.

Porém em certas passagens é necessário que o sistema de trabalho responda a situações inusitadas e tenha a capacidade de absorver fatos novos. Assim sendo a ação ergonômica é indicada para tratar de alguns problemas emergentes, sobretudo para gerar cenários de simulação de situações novas e estruturar o treinamento necessário e dali advindo.

A explosão da demanda de ergonomia

Constatamos que, em todo o mundo, a ergonomia tem sido objeto de uma explosão de demanda, com um número crescente de empresas solicitando consultorias e criando cargos para ergonomistas em seus organogramas. Se nos limitarmos ao Brasil, a demanda já ultrapassa bastante a capacidade de formação e treinamento hoje disponível no mercado.

Cada um de nós “opera” diariamente alguns tipos de sistema tais como: automóveis, computadores, televisão aberta ou a cabo, telefones convencionais ou celulares. Neste sentido, é extremamente delicado considerar os aspectos humanos destas interfaces como solucionáveis pelo emprego de constatações de senso comum.

Muitos responsáveis de empresas têm demandado a Ergonomia simplesmente por se tratar da coisa certa a se fazer, até porque essas pessoas devem pensar naquilo que seja o mais adequado para realizar os objetivos estratégicos de suas organizações.

Finalmente, embora haja muito pouca documentação a esse respeito, até por uma falha de formação e de sistemática de trabalho dos ergonomistas, em alguns casos tem sido possível realizar uma avaliação do resultado das ações ergonômicas em termos de custo-benefício. E essas avaliações têm sido muito positivas.
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Assista a esse vídeo bastante interessante feito pela Catho Online sobre a ergonomia e seus benefícios, melhorando a eficiência, segurança e saúde do colaborador.


2 comentários:

  1. ESSE ASSUNTO AI EU SOU MUITO MAIS MUITO
    LEIGO POR ISSO SOMENTE VENHO AQUI
    PARABENIZAR PELO BLOG!!

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    1. Ok, tudo bem, qualquer dúvida é só falar comigo.

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